16/12/2009
Um Beatle consciente
Ontem, no Parlamento Europeu, o ex Beatle Paul McCartney disse que diminuir o consumo de carnes é uma das atitudes mais eficazes, que cada um de nós pode adotar, para diminuir o efeito estufa no planeta.
Leia abaixo o texto extraído do site do Jornal Estado de SP.
“Não é tão difícil, eu garanto”, afirmou o músico, que discursou junto ao presidente do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC, na sigla em inglês), o cientista indiano Rajendra Pachauri, na conferência “Less Meat = Less Heat” (“menos carne = menos calor”, em tradução livre).
Conhecido vegetariano e ativista meio ambiental, Paul interrompeu sua turnê europeia para defender a dieta vegetariana diante dos muitos presentes a sua visita ao Parlamento Europeu, que o receberam de pé e com uma grande salva de palmas.
Em seu discurso, o ex-Beatle lembrou que decidiu se unir à causa de um dia por semana sem carne depois de ler um relatório das Nações Unidas publicado em 2006. Entre outros dados, o documento revelava que a produção de carne emite 18% dos gases do efeito estufa – mais até que o transporte, com 13% – e, além disso, é em grande parte responsável pelo desmatamento e pela escassez de água no planeta.
“Produzir um hambúrguer consome a mesma quantidade de água que um banho de quatro horas”, afirmou o músico de Liverpool.
Para ler o trecho completo clique AQUI.
Que não seja por você ou pelo planeta e pelas pessoas que estão ao seu redor, que seja pelo Paul! rs. Consciência pessoal!
Frutas na sua vida!
Vêm chegando o verão, e com ele uma disposição incrível para se cuidar. Parece que nossa vontade de se sentir bem e saudável aumenta junto com o calor, não é?
Enquanto as revistas de estética vendem mil dietas milagrosas e exercícios duvidosos, eu fico pensando em qual seria a minha dica pro bem estar verdadeiro, algo que realmente me faz sentir feliz comigo mesmo. Algo saudável em todos os sentidos. Aí me lembrei que uma das coisas que eu faço há anos e que me deixa muito bem: o DIA DE FRUTAS.
O dia de frutas é quase simbólico. É o dia que eu me alimento só de frutas, mas a intenção é muito maior. É um dia de reflexões e de limpeza física e emocional. Quanto menos você come, com mais clareza sua mente trabalha, assim como seu corpo. Aí entra a máxima que qualidade é melhor que quantidade.
Uma pessoa que come três refeições pesadas por dia fica em média 16 horas digerindo. As frutas, por serem de fácil digestão, são ótimas para dar um descanso pro corpo (que vai poder parar de só ficar na função digestão/ excreção e poderá ter outras funções como a purificação profunda do organismo e cura).
O nosso corpo é uma máquina refinada, mas o deixamos apenas com o trabalho braçal. A constância nesse tipo de prática traz um bem estar real. Pois é algo que vem de dentro pra fora. As frutas são alimentos que geram a vida. Elas geram energia no seu corpo. É normal nesse dias que apesar de comermos menos, nos sintamos com muito mais disposição. Pode acontecer de nas primeiras vezes você sentir um pouco de desconforto, mas isso é devido à própria desintoxicação do organismo. Depois isso passa, e aí é só felicidade! E é verdade.
Numa época da minha vida eu passei por um período de purificação intensiva com praticas do Yôga e depois resolvi emendar nas frutas. Fiquei três meses consumindo só frutas. Posso afirmar que foi um momento muito bom na minha vida. A sensação que eu tive é que meu corpo começou trabalhar muito melhor. Todos os meus sentidos ficaram mais aguçados, visão, olfato, audição. Sem falar da sensibilidade que ficou muito aflorada. Eu dormia menos e melhor, pensava melhor, me relacionava melhor. Tinha força e disposição a toda a hora. Nesse tempo, segui minha alimentação instintiva e ouvia o que meu corpo pedia. Ás vezes era manga no café da manhã, banana com nozes no almoço e suco de melancia no jantar. E com isso minha saúde só aumentou.
Depois desse período eu voltei para a minha alimentação habitual mais por uma questão social. Morando em São Paulo fica difícil manter esse tipo de dieta por muito tempo. E para continuar com esse meu momentos de limpeza passei a fazer junto com a troca das estações uns 15 dias de purificação. O que dá um total de 60 dias no ano que deixo meu corpo descansar. Pra quem está começando agora acho que um dia de frutas a cada 15 dias é muito válido. Faça essa experiência. Lembre-se que um pouco de indisposição é normal no começo. Fazer faxina nunca é fácil, ainda mais quando é no nosso próprio corpo. Depois tente manter um dia de frutas por semana. Você vai ganhar anos de vida e muita vitalidade.
Como montar seu dia de frutas:
1- Escolha um dia mais tranqüilo com menos tarefa, pelo menos nas primeiras vezes.
2- Se você fuma, não fume nesse dia. Não consuma nenhum estimulante como café, chocolate. Não preciso falar pra não beber, né?
3- Se programe para comprar as frutas no dia anterior para você não ter que sair pra comprar e ficar muito tempo com fome.
4- Escolha um dia da semana, por exemplo, quarta feira e mantenha a constância nesse mesmo dia. O corpo reage melhor.
6- Evite misturar as frutas de uma só vez. Algumas frutas têm digestão diferente.
7- Durante o dia, quando sentir fome, coma frutas secas, castanhas sem sal, nozes (sempre em pequenas quantidades) 5- Coma a cada 3 horas, mas seja frugal, coma pouco.
8- Beba muita água, água de coco, sucos naturais e sem açúcar.
9- Dos chás eu abro exceção para as infusões. Pode ser de erva-doce, camomila, hortelã.
10- Quando limpamos o corpo automaticamente limpamos as emoções. Então cultive um estado de alegria. Perceba seu corpo, suas emoções. Analise sem se envolver Aproveite que estamos no Brasil com tantas frutas frescas deliciosas e baratas. Dê preferência consumir frutas orgânicas, mas se não der tudo bem. E essa é minha dica pra esse quase começo de verão.
Por: Tatiana Ribeiro
12/11/2009
Polícia descobre abatedouro de cães em SP – Crueldade
Roberto Moraes, de 46 anos e Roseli Nascimento, de 39 anos, foram presos acusados de manter um abatedouro de cães em Suzano, na Grande São Paulo. Segundo a Secretaria de Segurança Pública, os animais eram recolhidos nas ruas, mantidos para engorda e depois mortos. A carne dos cachorros era vendida para a comunidade oriental, por R$ 180 a R$ 220 por animal.

No abatedouro, a polícia encontrou um cachorro ainda vivo que seria abatido, duas mesas, um freezer com carnes, ganchos e outros equipamentos. As investigações, feitas pela 2ª Delegacia de Saúde Pública do Departamento de Polícia de Proteção à Cidadania (DPCC), duraram um mês. De acordo com a polícia, o local funcionava há três anos.
Os dois presos são acusados também de incinerar as partes dos cães que não conseguiam aproveitar.
fonte: http://oglobo.globo.com/cidades/sp/mat/2009/11/12/policia-descobre-matadouro-de-caes-na-grande-paulo-914717151.asp
Não seria o mesmo tipo de maldade de acontece com outros animais? Ou você acredita que seja diferente?
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22/10/2009
Ética – porque a perdemos?
“Embora difíceis (mas não impossíveis) de modificar e variando em questão de tempo e lugar, a controvertida ética possui, dentro dela mesma, um teor altamente universal e imutável.”
Podemos citar algumas razões para que um indivíduo se torne vegetariano: compaixão aos animais, saúde, filosofia, religião, economia, consciência ambiental, distribuição eficiente de alimento, ética…ops, ética?! Será que alguém ainda se lembra dela? Sabemos que o termo provêm do grego ethose que significa costume, ou em outra variação de acentuação do termo, caráter. Entretanto, apesar de a maioria entender a significação da palavra, acredito que estamos vivendo um momento de extinção da ética, e se por acaso, você, querido leitor, encontrar algum resquício dela por aí, observe bem, pois poderá ser a última vez, antes do cataclismo do egoísmo interesseiro e imaturo que envereda-se em nossa sociedade sorrateiramemte como uma naja venenosa. No artigo deste mês, tentaremos entender um pouco do caminho da ética, quase sempre ardiloso e pedregoso, pois nem sempre (ou quase nunca) é bem compreendido, varia de época e lugar, é muito subjetivo e cada um tem o seu.
Iniciemos pelo primeiro significado: costume. O próprio termo já diz, é aquilo que estamos acostumados a fazer, o que aprendemos de berço ou do ambiente em que vivemos, ou seja, tudo aquilo que crescemos aprendendo a achar que é correto e que, por muitas vezes, iremos carregar ao longo de nossas vidas e que acabará moldando nosso caráter, o que acaba tendo relação com a segunda tradução do termo ética.
Recentemente foi publicada uma pesquisa que apresentava estatísticas de pessoas que, na infância, possuíam o estranho hábito de abusar de animais por puro prazer e que passaram a fazer o mesmo com seres humanos quando já estavam em idade adulta. Quando vi isso pela primeira vez, pensei ser óbvia a tese, pois nada mais natural do que manter um velho costume. No entanto, obviamente esta retórica não é regra, afinal, nós não chupamos mais chupeta, não dormimos com nossos pais, não tomamos leitinho quente antes de dormir… ops, muita gente ainda tem este costume (deve ser também devido ao triptofano que embala nosso sono). Enfim, temos a tendência de manter a ética que nos foi ensinada, para somente depois colocarmos nossa própria experiência neste caldeirão de vivências.
De qualquer forma, vejo estas duas traduções, costume e caráter, como algumas das coisas mais difíceis de mudar em um ser humano, e olhe que escrevo isso com conhecimento de causa, pois lido com diferentes pessoas diariamente há mais de uma década.
Ficamos tão acostumados com aquilo que nos foi espelhado quando crianças, que o repetimos ao longo de toda uma vida: é o velho “diga-me com quem andou e te direi quem se tornou”. Por isso, em minha opinião, é importante nos cercarmos de bons exemplos desde o princípio dos tempos. Veja um exemplo verídico de costume que tornou-se hábito inconsciente: vários macacos se encontravam um uma jaula em cujo centro havia uma escada que conduzia a um cacho de bananas pendurado no alto. Toda vez que algum primata começava a subir para alcançar o cacho, os demais eram atingidos por jatos de água gelada. A inóspita cena se repetiu por algumas vezes, até que os macacos perceberam a correlação da escalada na tentativa do alcance da fruta com o jato da água, e resolveram espancar qualquer bicho que se apresentava para subir os degraus da escada. Após vários macacos apanharem do restante do grupo, os cientistas foram trocando pouco a pouco os chimpanzés, além de interromperem os banhos gelados. Uma substituição após a outra, não havia mais nenhum animal que havia passado pela antiga experiência, no entanto, o antigo costume do linchamento continuava, sem se saber por quê! É como se dissessem: sei lá, sempre foi assim por aqui, só macaqueei (com o perdão do trocadilho) os mais antigos. Em outras palavras, seguimos regras de comportamento do meio e daqueles que o permearam conosco, forjando um pedaço da ética do futuro.
Acredito que estejamos vivendo uma era na qual a ética funciona somente quando nos for conveniente e, apesar de estar ciente que de uma forma ou de outra, sempre foi assim com o passar das civilizações, estamos presenciando uma barafunda total no que concerne ao assunto, pois cada um a interpreta de uma forma distinta e, sobretudo, de acordo com interesses e conveniências próprias, e por isso mesmo, não há consenso ético em praticamente nenhuma área de nossos relacionamentos pessoais ou profissionais. Nós não temos acompanhado intermináveis discussões sobre ética nos esportes, empresas, relações entre seres humanos e animais etc?
Para ficarmos no assunto da Vegetarianos, o mundo não acha normal assassinar um animal para alimentar as bocas dos inconsequentes? Pois para os indianos, isto seria totalmente antiético, pois como sabemos, a vaca por lá é sagrada, tanto que parte deles acredita que é tão degradante exterminar uma vaca, que o ser humano ao fazê-lo, retorna a condição de demônio na escala reencarnacionista e precisaria passar novamente por oitenta e sete vezes degraus evolutivos para alcançar o statusde homem novamente. No entanto, embora difíceis (mas não impossíveis) de modificar e variando em questão de tempo e lugar, costume e caráter, ou seja, a controvertida ética possui dentro dela mesma, um teor altamente universal e imutável. Em outras palavras: há alguns filamentos incutidos na ética do mundo que independem de época ou civilização, tais como honestidade, lealdade, honra, verdade, amizade e algumas outras que descansam suas almas na lápide da ética perdida nas invisíveis linhas dos labirintos sociáveis dos homens.
O mundo se encontra em um posicionamento de extremo egoísmo; praticamente tudo o que fazemos, no fundo, no fundo, jaz em interesse próprio. Tendo observado isso, tenho tentado aplicar comigo mesmo e nos meus alunos que aquilo que fazemos deve ser recheado de prazer e sentido de dever interno, e não somente porque de alguma forma, colheremos frutos em benefício próprio proveniente da reação de nossas atitudes. Por exemplo, já percebeu que quando abrimos nossas janelas nos semáforos encruzilhados dos mendicantes, grande parte das vezes, o fazemos sem o objetivo sincero do querer bem do pedinte, mas com o tácito desejo de livrar-nos de uma intrínseca e sinistra culpa, libertar nossas consciências do peso de que há alguém como nós passando por extrema dificuldade, e preferimos pensar que estamos fazendo algo pra ajudá-lo ao dar uns trocados no frio e indiferente concreto das intermináveis esquinas. Ao fazê-lo, nos sentimos menos pesados: “pronto, estou mais leve, fiz a minha parte” – preste atenção se não é esta a voz 3de sua consciência, toda vez que fizer caridade. Como diria o filósofo francês Foucault: ética = melhor forma de viver. Concordo com ele – a mera consequência da aplicação da ética na vida de um homem de bem o fará passar por ela de uma forma mais bela e nobre.
Por Fábio Euksuzian (fabio.euk@uni-yoga.org) Fábio Euksuzian é membro da Conselho Administrativo da Uni-Yôga, instrutor de Swásthya Yôga e diretor da Unidade Vila Olímpia, filiada à Uni-Yôga. Mais informações: universoyoga.org.br29/09/2009
Tabasco? E as outras pimentas?
Eu estava sentado numa padaria esperando meu tradicional queijo branco com tomate e orégano. Na minha frente, aquelas coisas que sempre há na mesa das lanchonetes, guardanapo, ketchup, mostarda e Tabasco. Tabasco??? Por que Tabasco???
Comecei a lembrar que em quase todos os lugares que vou comer e peço uma pimenta me trazem Tabasco. O Brasil é um país rico em especiarias e possui os mais variados tipos de pimenta, não obstante, a pimenta industrializada que mais consumimos não é feita aqui. Foi então que eu olhei para aquele vidrinho simpático e antes de tocá-lo precipitadamente concluí: com esse nome e layout, só pode ser mexicana. Peguei o frasco e li – Made in USA – só podia…
Não sou contra a disseminação da cultura americana, tampouco contra a importação de produtos de outros países que sejam melhores que os nossos, o que me intriga é porque nós não fazemos isso? Daí você vai me dizer que há várias empresas brasileiras se dando bem lá fora, e o melhor exemplo delas é a AMBEV, que se uniu a uma companhia belga Interbrew, criando a Inbev e que acaba de comprar a Anheuser-Busch por US$ 50 bilhões e se tornar a maior produtora de cerveja do mundo. Não há como negar isso, mas a parte triste é que as empresas brasileiras que se internacionalizam são excessões. Também não há como negar que o que fazemos é 10X menos do que o nosso potencial permite.

A Tabasco definitivamente não é uma pimenta saborosa, mas pela competência de seus gestores, está em quase todas as lanchonetes das principais cidades brasileiras. Nem ao menos temos a opção de escolher outra, é Tabasco e pronto. Nessa padaria havia uma pimentinha brasileira escondida timidamente atrás da máquina de café. E ela me trouxe a imagem do seu dono reclamando que no Brasil é impossível, que o governo não lhe dá benefícios, que o mercado é difícil, blábláblá. Olhei para a Tabasco e vi o americano, também passando por dificuldades, que são inerentes a todo negócio. Imaginei-o visitando investidores, vendendo a idéia que ele poderia ser um trader internacional de… pasmém – PIMENTA. E depois de mostrar seu business plan tantas vezes que era capaz de recitá-lo de cor, consegue convencer alguns gestores de capital que pensar num mercado global deixou de ser um luxo para se tornar uma necessidade. “Se nós conseguirmos exportar, dominaremos o mercado, caso contrário outra companhia entra no nosso país e compra a nossa empresa”. O resultado de todas essas visitas a investidores, são as milhões de Tabascos em pé em cima das mesas de restaurantes do mundo todo e a alegria daqueles que acreditaram no empreendedor de pensamento amplo.

A Tabasco é mais um exemplo da falta de expertise dos empresários brasileiros na captação de recursos. Nosso individualismo exacerbado nos faz preferir ser donos de 100% de um negócio que vale R$100.000 e, que pela falta de força fica fadado ao fracasso,do que captar dinheiro de investidores e ter 20% de uma empresa com muita perspectiva de crescer, que vale 1 milhão. Nos acomodamos com nosso mercado interno, que é forte, e que nos faz pensar que se vencermos por aqui, já teremos mais sucesso do que sempre sonhamos. Por último vem o mais grave de todos os defeitos, o complexo de inferiroridade que não nos permite acreditar que podemos atuar e vencer em todas as partes do mundo.
Texto por Daniel De Nardi
www.assimfaloudenardi.com
*Daniel De Nardi é membro do Conselho de Administração da Uni-Yoga e Diretor do CJE-FIESP
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31/08/2009
Vegetarianismo aqui no Brasil?
O Brasil está entre os países que mais produzem e consomem carne no mundo. Temos o maior rebanho bovino comercial e somos o maior exportador de carne em toneladas. Segundo dados do Serviço de Informação da Carne (SIC), o país registra um consumo per capita de 40 quilos de carne bovina por ano, contra 30 quilos de carne de frango e 12 quilos de carne suína.

Muuuuu!
Ao mesmo tempo, cerca de 28% dos brasileiros têm procurado diminuir o seu consumo de carne, segundo um estudo da empresa de pesquisas Ipsos. Os motivos envolvem não só a saúde, mas também a preocupação com o meio ambiente. O boicote de grandes redes de supermercados à carne bovina proveniente de fazendas ilegais na Amazônia, por exemplo, chamou a atenção das pessoas para o desmatamento da floresta e a crueldade praticada com os animais durante o abate.
Já Gustavo, analista de projetos ambientais da Fundação O Boti cário, diz que foi o trabalho que o convenceu a mudar de atitude. “Tenho acesso a muitas informações a respeito do prejuízo causado por alguns cultivos, inclusive a pecuária. Os números são assombrosos. Por isso, adotei a redução do consumo de carne como estratégia para conscientizar outras pessoas sobre o assunto”, conta. O designer Érico Almeida, 26 anos, e o engenheiro florestal Gustavo Gatti, 35 anos, fazem parte do time que mudou seus hábitos em nome do planeta.
Maurício Dziedzic, professor do Mestrado de Gestão Ambiental da Universidade Positivo, explica que é possível transformar a pecuária em uma atividade mais sustentável e menos nociva à atmosfera. “Muitos produtores já optaram por alterar a dieta do gado para diminuir a emissão de gases de efeito estufa. O esterco dos animais também tem sido usado para gerar energia”, enumera.
O especialista lembra que, se a ideia é contribuir para a preservação do meio ambiente, diminuir o consumo de carne não deve ser uma ação isolada. É preciso mudar o estilo de vida: usar meios de transporte menos poluentes, reciclar o lixo e evitar o desperdício devem igualmente fazer parte da ro tina. “Também não adianta na da não comer carne num dia e comer o dobro no outro”, alerta.
Fonte: http://portal.rpc.com.br/gazetadopovo/vidaecidadania/
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19/08/2009
Senta que lá vem história para refletir
“Os homens que comem carne e tomam beberagens fortes têm todos um sangue azedo e adusto, que os torna loucos de mil maneiras diferentes. Sua principal demência se manifesta na fúria de derramar o sangue de seus irmãos e devastar terras férteis, para reinarem sobre cemitérios”.
A Princesa da Babilônia, Capitulo III – Voltaire
A Dieta do Sadhu

Sadhu
Há muito, muito tempo atrás, havia um Sadhu que morava nas profundezas da floresta, vivendo de raízes e frutinhas, com a mente fixa na meditação. Os pássaros e outros animais da floresta eram seus amigos, e qualquer um que passasse uma hora em sua presença experimentava uma sensação de profunda paz.
Com o passar do tempo, as notícias se espalharam a respeito deste Sadhu que transmitia paz e, mesmo o Rei daquele país, lá longe em seu palácio, veio para visitá-lo e ouví-lo. Chegou à floresta com presentes e saudações respeitosas, e também foi abençoado pela experiência de uma serenidade inexpressável. A paz é o que os reis mais sentem falta e desejam.
O Rei veio outra vez e mais outra vez visitar o Sadhu. E, na terceira visita, pediu ao ermitão para vir morar com ele no palácio real. A princípio o Sadhu recusou. Mas depois de insistentes súplicas, concordou com o Rei e acompanhou-o à cidade, onde foi recebido com grande respeito por todos. Foi-lhe dado um quarto perto do rei, e o próprio Rei e a Rainha cuidavam dele, para se assegurarem de que todos os seus desejos fossem satisfeitos.
Depois de ter vivido assim no palácio por vários meses, aconteceu que, um dia, quando a Rainha foi se banhar, tirando de seu pescoço um de seus magníficos colares de diamantes, colocou-o de lado, esquecendo-se dele quando deixou a casa de banho.
A pessoa que entrou a seguir foi o Sadhu. Ele viu o maravilhoso colar jogado lá, colocou-o dentro do casaco e deixou o palácio sem falar com ninguém.
Passado algum tempo a Rainha sentiu falta do colar e lembrou-se de onde o tinha deixado. Mandou uma criada procurá-lo, mas nada foi encontrado. Investigações logo revelaram que a única pessoa que havia estado na casa de banho depois da Rainha tinha sido o Sadhu – e que ele não estava mais no palácio. A Rainha ficou muito perturbada e insistiu para que o rei mandasse seus soldados pegarem o ladrão. Porém o Rei disse:
- Querida senhora, ainda me lembro da maravilhosa experiência de paz que tive na presença do nosso querido Sadhuji. Estou convencido de que é um homem genuinamente santo. Se ele tirou o colar, deve ter tido boas razões para isso. Sem dúvida, era um belo colar, e muito valioso, mas você tem outros. Acalme-se e vamos ver o que vai acontecer.
Uns poucos dias mais tarde, o Sadhu retornou, pediu uma audiência ao rei e devolveu o colar, com muitas desculpas abjetas. O rei ficou atônito;
- Querido Sadhu, – perguntou, – sabendo que lhe daríamos alegremente tudo aquilo que desejasse, por que se apossou do colar? E depois de roubá-lo, por que vem devolvê-lo de modo tão servil? Por favor, faça-me entender o ensinamento que quer nos transmitir por essas estranhas ações.
- Oh, Rei, – replicou o Sadhu, – o senhor tem sido muito bom para mim. As explicações são muito simples. Durante vários meses vivi aqui em seu palácio, alimentando-me com sua comida. Desse modo, as impurezas do mundo entraram em mim e caí na inconsciência da ambição e da ingratidão. Após deixar o palácio, fui para floresta e a primeira coisa que comi foi uma certa fruta que tem propriedades purgativas. No passado, ela não costumava me afetar, mas dessa vez meu corpo todo passou por uma dolorosa purificação. Quando voltei a mim, avaliei o que tinha feito e resolvi voltar ao palácio tão rápido quanto minha condição enfraquecida permitia. Isso é tudo. O senhor mostrou-se generosa em seus pensamentos e em suas ações. Na sua generosidade, permita-me agora retornar ao meu próprio lugar e à minha dieta.
Fábulas e lendas da Índia/ tradução Thalysia de Matos Peixoto Kleinert, Shakti Editora.
13/08/2009
“Sou vegetariano há mais de 49 anos e estou muito bem, obrigado” – Mestre DeRose
Quando tinha dezesseis anos de idade li em um dos muitos livros que eu debulhava incessantemente, que uma pessoa civilizada, educada e sensível não deveria comer as carnes de animais mortos. Que uma pessoa inteligente deve procurar ter uma alimentação mais seletiva. Que evitando as carnes de todos os tipos e cores, nosso corpo fica mais saudável e purificado, proporcionando condições para uma evolução interior muito mais rápida e efetiva. Não titubeei. Lembrei-me da força do Wladimir e decidi parar de comer carnes.
No entanto, era o mês de junho de 1960. Estava ocorrendo na minha rua uma festa junina que reunia a garotada de todas as casas e um dos prazeres dessas festas eram as comidinhas. E tudo grátis! Havia uma barraquinha de mini hot-dogs. Como despedida tracei quinze! Passados cinquenta anos, não me lembro se havia sido só o pão com o molho ou se foi com salsicha e tudo. O fato é que essa teria sido a última vez. Dali para frente, tornara-me formalmente um yôgin sincero e verdadeiro, logo, sem devorar carnes mortas.
Minha mãe entrou em pânico:
– Você vai ficar fraco. Vai ficar doente!
Mas eu não arredava pé da decisão. Então mamãe chamou o médico da família para uma consulta domiciliar, como era costume naquela época. O Doutor Rocha Freire olhou a minha língua, penetrou meus olhos com um feixe de luz, auscultou meus batimentos cardíacos, mediu-me a pressão e pontificou:
– Se não voltar a comer carne, você morrerá em três meses.
Por essa época, eu já utilizava o conceito que veio a se tornar o axioma número um do SwáSthya: “Não acredite”. E eu não acreditei. Pouco tempo depois, eu fui ao enterro do médico e continuo muito vivo até hoje, meio século depois.
Minha mãe sempre lamentava:
– Eu queria fazer uma comidinha gostosa para você, mas você não come nada…
E, por mais que eu explicasse que comia sim, de tudo, consumia agora muito mais variedades do que antes e apreciava uma profusão de pratos de forno e fogão, não adiantava. No conceito da mamãe (e de tantas outras pessoas!), eu “não comia nada”. E, mesmo ela não podendo mais contar com a cumplicidade do médico que morrera, o estribilho prosseguia buzinando nos meus ouvidos:
– Você vai ficar fraco. Você vai ficar doente.
Sob todo esse esforço de me sugestionar negativamente, foi mesmo uma proeza eu não haver sido influenciado e não ter ficado de fato enfermo.
Com o tempo, ela foi se acostumando, pois cada vez eu me tornava mais alto e mais forte, ultrapassando em muito os meus pais, tios e irmão mais velho que a essa altura estava na Academia Militar.
Mas não nos esqueçamos, nesse período, eu era aborrecente, com dezesseis, dezessete, dezoito anos de idade. Quando alguém questionava minha alimentação, eu respondia do alto da minha empáfia: “Não sou necrófago, não como cadáveres.” Ou então: “Não sou papa-defunto.” Ou, melhor ainda: “Não como comida de cachorro.” (Eu não imaginava que mais tarde viria a ter uma weimaraner vegetariana!) Obviamente, não recomendo a ninguém dar essas respostas mal-educadas.
Descobri, com o tempo, que as pessoas só implicam porque nós damos satisfação. Quem não gosta de comer jiló por acaso anda apregoando isso? Se alguém puser essa amaríssima solanácea no seu prato, quem não a aprecia simplesmente deixa-a de lado sem fazer alarde. Se puxarem assunto perguntando se a pessoa em questão não come jiló, ela, com naturalidade, responderá laconicamente e prosseguirá a conversa com outro tema.
O problema maior são os entes queridos que, estando mais próximos, invadem mais a nossa privacidade e não tocam no assunto uma só vez, en passant. Os íntimos voltam à carga outra e outra vez até entupir as medidas e acabam tirando do sério o desafortunado vegetariano. Nesse caso, observe o exemplo dos meninos de escola que experimentam ir chamando os colegas de qualquer coisa. Se algum dos apodos incomodar, esse é o apelido que vai pegar. Da mesma forma, se os familiares perceberem que você dá muita importância à opinião deles e que se irrita com a interferência sistemática na sua liberdade de opção, isso se transformará numa neurose obsessiva. Aproveitarão todas as oportunidades para lhe aplicar uma alfinetada. Contudo, se você não ligar a mínima e algumas vezes entrar na brincadeira, gracejando junto, todos vão considerá-lo uma pessoa equilibrada e bem resolvida. Depois, pararão de tocar no assunto, pois ele fica velho e acaba perdendo a graça.
Para mim, o fato de não ingerir carnes nunca trouxe dificuldade alguma de relacionamento. Estudei em colégio interno, pratiquei esportes, servi o exército na tropa, sempre fazendo muitos amigos. Incursionei por esse Brasil imenso dando cursos no interior de vários estados, depois viajei por outros países e jamais tive qualquer problema para me alimentar nem para cultivar as atividades sociais. Em alguns lugares o problema para comer era a diferença de paladar, mas não o fato de eu ser vegetariano.
Mestre DeRose
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11/08/2009
Chai – os segredos de como um bom chai indiano deve ser
Chai é o nome do chá indiano, feito com um pouco de leite, açúcar e podendo conter gengibre, cardamomo e outras especiarias. Da palavra chai, provém o português chá. A partir de 1975, comecei a introduzir o chai no Ocidente. Adotamos o chai como bebida oficial nas nossas escolas. No início, teve pouca repercussão. Depois, à medida que eu viajava mais e por vários países, a influência se fez sentir. E cresceu mais quando nossa rede de escolas e associações filiadas tornou-se numericamente relevante e influente na vida de tantas pessoas. Daí, a partir de um dado momento, começamos a encontrar o nosso chai em casas de chá e até mesmo restaurantes. Em muitos deles, constava como chá yôgi, numa clara referência à nossa escola, pois na Índia esse chá não é tomado apenas em entidades de Yôga, mas em toda parte. Mesmo se você entra em uma loja de comércio, oferecem-lhe logo um chai. É uma demonstração de cordialidade. Aceitá-lo, uma demonstração de boa educação. Pois, bem, a história que quero contar tem a ver com isso.
Como um simples chai endossa nossas intenções de autenticidade
Na escola do Fernando Prado, em Buenos Aires, um senhor indiano levava a esposa para praticar SwáSthya e ficava esperando por ela na recepção da escola. Não conversava, não sorria. Quando o diretor da escola procurava ser cordial, o maridão respondia com monossílabos. Algum tempo depois, Fernando se lembrou de lhe oferecer um chai. O senhor indiano ergueu as sobrancelhas e redarguiu: “Vocês tem chai? Quero ver.” Fernando serviu-lhe um chai. O senhor indiano provou. Sorriu. Começou a conversar. Tempos mais tarde, Fernando lhe perguntou por que depois do chai ele ficou tão simpático e antes não queria nem conversa. Então, a glória: “Eu achava que vocês eram como os outros ocidentais que dizem ensinar Yôga e transmitem uma deturpação ofensiva às nossas tradições. Mas quando provei a bebida tradicional indiana, percebi que se até no chai vocês fazem questão de autenticidade, o Yôga que ensinam também deve ser autêntico.”
Chazinhos naturébas, não!
Por isso, fico muito triste quando visito alguma escola que diz seguir o nosso método, mas serve chazinhos naturébas, que são um modismo ocidental contemporâneo. Nada contra as infusões medicinais, para ser tomadas quando necessário. Mas oferecer essas bebidas sem graça dentro de uma escola de Yôga é subordinar-se a um paradigma equivocado, associando erroneamente Yôga com terapia. Yôga é filosofia. Todos os dicionários e enciclopédias o definem como tal. Sua meta, segundo Pátañjali, é o samádhi, o estado de consciência expandida que proporciona o autoconhecimento. Se, por efeito colateral, aumenta a vitalidade e todas aquelas consequências positivas, devemos interpretar isso como acidentes de percurso, positivos, por certo, mas jamais como objetivo. Uma abordagem mais séria não deve acenar com benefícios. É como se o instrutor quisesse convencer alguém de alguma coisa, ou como se quisesse vender algo a alguém. Mais nobre é praticar o Yôga pelo Yôga e não visando a benefícios pessoais. Este posicionamento está muito claramente exposto em nossos livros, sempre que, pela exigência do capítulo, somos obrigados a mencionar os tão decantados “benefícios do Yôga”. Não negamos que eles existam, mas preferimos não fazer apelação. Ao não oferecer benefícios terapêuticos e não aplicar misticismo, fica evidenciada a seriedade do nosso trabalho.
texto do Mestre DeRose
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